Infelizmente,
existe em grande parte de nossos ministérios musicais, uma "Liturgia"
que une a adoração congregacional exclusivamente com canções. Poucos
líderes se preocupam com elementos de adoração a Deus que não seja a
música. No livro de Atos, temos um exemplo de quatro dessas atitudes de
adoração que, muitas vezes, são completamente distintas da música.
"E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações." (Atos 2:42).
Aqui
temos quatro grandes elementos que precisamos incluir em nossa lista de
necessidades de um grupo de Louvor & Adoração. Eles devem ser as
prioridades absolutas em nossos grupos musicais, como também em nossa
vida de adoração pessoal. Neste estudo, tentaremos trazer a realidade um
pouco destes "elementos" que muitas vezes são negligenciados dentro de
nossos ministérios musicais, e portanto em nossas adorações
congregacionais.
Verdade
"E perseveravam na doutrina dos apóstolos, ..."
Precisamos
compreender, antes de qualquer coisa, que VERDADE se distingue
totalmente de leis e regras impostas por homens que buscam satisfazer
sua necessidade de poder ou justiça. Deus odeia esse tipo de religião,
assim como Max Lucado (Quando os Anjos Silenciaram), quando diz: "Ela
(religião) oprime o povo, contamina os líderes e corrompe seus filhos".
Jesus
sempre condenou a religião composta apenas de regras. Fez suas mais
duras críticas, aos religiosos que baseavam sua adoração em leis
injustas e rígidas. Conclamou o povo a uma única verdade simples, e a
resumiu numa única frase: "Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu
coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o
teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo." (Lucas 10:27).
Pronto, está definido que a verdade bíblica se baseia em amor a Deus e
respeito ao próximo.
Jack Hayford (Adorai Sua Majestade) diz algo,
que creio servir para nossa reflexão: "A palavra que só informa sem
inspirar, ou que só confronta sem instilar esperança, pode ser ortodoxa,
mas é também contraproducente."
Quase todos sabemos que não somos
salvos através de boas obras, mas poucos são os que transferem esta
verdade para a adoração. Muitos músicos crêem que ensaiando muito,
receberão de Deus o título de "Adorador do Ano". Outros, Líderes de
Adoração, acreditam que tocando diariamente, compondo quase que
semanalmente e vendendo seus Cds mensalmente, receberão o disco de Ouro
da "Céu's Recordes". Isso é tentar ser um adorador pelo que se faz, não
pelo que se é.
"Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me
honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim. Mas, em
vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens."
(Mateus 15:8,9)
Precisamos nos aproximar de Deus, através de uma
adoração baseada na verdade descrita pela Palavra. Sempre quando leio o
texto de Mateus 15 (e vários outros também) tenho a nítida impressão que
a MOTIVAÇÃO vale para Deus mais que a ação. O motivo pelo qual cantamos
nossas músicas é muito mais importante que as músicas em si mesmas.
Você
pode estar se perguntando o que quero dizer com tudo isso, note: A
palavra de Deus (verdade) nos impede que tropecemos em nosso orgulho e
corrupção, mas os métodos humanos nos levam a eles. Sabe porque? Porque
"Os preceitos do SENHOR são retos e alegram o coração; o mandamento do
SENHOR é puro, e ilumina os olhos." (Salmo 19:8)
Isso é uma
inversão total de valores (principalmente para nós músicos e ministros),
pois quando nos prendemos a verdade bíblica, Deus automaticamente passa
a ser o centro de nossa vida e ministério. E tê-Lo no centro de nosso
ministério, evita que caiamos no legalismo farisaico, assim como os
sacerdotes da época de Cristo.
Comunhão
"E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, ..."
Um dos ingredientes mais complexos da verdade é a comunhão que ela
exige de nós. Isso mesmo, a partir do momento que você coloca Deus no
centro de sua vida, impreterivelmente os "outros filhos" virão junto com
Ele. Passaremos então a usufruir a COMUNHÃO com os irmãos, quer
gostemos ou não.
Pense um pouco comigo e leia o que diz I João
1:7: "Mas, se andarmos na luz, como Ele na luz está, temos comunhão uns
com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de
todo o pecado." Baseado nisso, cremos que não exista qualquer
possibilidade de separar a comunhão horizontal (pessoas) da vertical
(Deus), temos que aprender a conviver com ambas.
Em uma de suas
pregações na igreja que pastoreia em São Paulo (Projeto Ágape) o pastor
Sandro Baggio disse: "Relacionamentos saudáveis nunca acontecem por
acaso; é preciso aprender a desenvolve-los." Nós, como igreja,
precisamos aprender imediatamente como nos relacionar, e buscar esta
comunhão com nossos irmãos (cristãos ou não-cristãos), pois foi por elas
que Jesus morreu em uma cruz e nos deu uma missão de amor.
Nós
cristãos, muitas vezes, temos um sentimento secreto de superioridade
sobre as outras pessoas, principalmente as não-cristãs. Acreditamos que
nossa obrigação é a de mostrar seus erros e desmascarar o inimigo em
suas vidas. Sempre nos esquecemos (ou buscamos esquecer) que na verdade,
temos que traze-las para nosso convívio pessoal, pois Jesus morreu pela
remissão de pecados, como também morreu para que TODOS tivéssemos uma
família e um lar.
Até drogados, homossexuais, aidéticos, mães
solteiras, pecadores em geral tem direito a esta mesma família de
Cristo. Philip Yancey (Maravilhosa Graça) diz: "Com demasiada
freqüência, a igreja levanta um espelho refletindo a sociedade que a
cerca, em vez de uma janela revelando um caminho diferente."
O mundo
está cansado de leis e acusações vinda de nós, os "santos", as pessoas
já sofrem demais com os pecados que cometem para ter de ouvir mais
acusações de nós cristãos.
Devíamos ter muito mais comunhão com o
mundo que nos cerca, segundo Dietrich Bonhoeffer (Teólogo alemão morto
por Hitler pouco antes de terminar a 2ª guerra mundial) "no mundo em que
vivemos, os cristãos devem ser uma colônia do verdadeiro lar". Devemos
refletir, a vida que Cristo nos ensinou. Uma vida de amor a Deus e ao
Próximo, Verdade e Comunhão.
O ministério musical que a igreja
busca é um grupo de pessoas que estejam dispostas a serem esta colônia,
onde as pessoas que buscam a presença de Deus, tendo comunhão conosco,
aprendam a viver a verdade. Um lugar onde se aponta unicamente para
pessoa de Deus e de seu Filho, não para nossas músicas e/ou erros
pessoais.
Onde o amor seja a principal verdade ensinada em nossas
adorações congregacionais, e a comunhão entre os irmãos é uma realidade
impactante sobre o mundo decaído e com tanta falta de relacionamentos.
Dwight L. Moody disse algo sobre o porque da necessidade de um lugar
assim: "De cem homens, um lerá a bíblia; noventa e nove lerão o
cristão." Se tivermos atitudes de um adorador que busca a comunhão entre
TODOS os irmãos, faremos uma verdadeira revolução de louvor no mundo.
"E
eis que uma mulher Cananéia, que saíra daquelas cercanias, clamou,
dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim, que minha filha
está miseravelmente endemoninhada." (Mateus 15:22)
Você já se
perguntou porque Jesus tinha tanto contato com pessoas de "baixa moral" e
a igreja atual tem tão pouco? Porque as pessoas procuravam Jesus
descrevendo seus problemas abertamente e a igreja atual não? Porque as
pessoas mal podiam esperar para estar perto de Jesus e odeiam ir a um
culto?
Porque elas querem ir a igreja para ver a Deus e seu Filho,
não para ouvir como seus erros e fracassos os farão sofrer. Procuram
uma experiência de adoração com o Deus que ouviram falar que alivia suas
dores e perdoa seus pecados. Poucos ministérios têm interesse por essas
almas, falta COMUNHÃO em nossa adoração. Falta um interesse real de
conversão de almas na maioria de nossos ministros musicais.
Preocupamo-nos em demasia com ensaios, reuniões, músicas, melodia e
células rítmicas, para pensar em qualquer outra coisa.
Serviço
"E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, ..."
O
serviço traz propósito à adoração. Na verdade, adquirimos uma dupla
responsabilidade quando assumimos a Verdade & Comunhão como peças
fundamentais em nosso ministério. Além de louvar a Deus, a adoração nos
impulsiona ao serviço ao próximo. A experiência de adoração que temos
enche-nos de amor, e esse amor é levado aos que necessitam dele.
Por
isso, adoração e evangelismo, estão intimamente ligados, um te leva ao
outro, um não consegue viver sem o outro. Separa-los é como tentar
distinguir o gás-carbônico do oxigênio enquanto respiramos, é algo
impossível de se fazer com nossos narizes.
"Se alguém me serve,
siga-me, e onde eu estiver, ali estará também o meu servo. E, se alguém
me servir, meu Pai o honrará." (João 12:26)
Quando digo que o
serviço é uma peça essencial numa vida de adoração, sei que adquiro
muitos inimigos, pois nós músicos temos um ego muito forte. Todos nós
(principalmente eu) preferimos ser servidos a servir outros. Temos uma
necessidade acima da média por honra ou reconhecimento, mas para o
desespero de alguns (inclusive o meu): o maior de todos os mestres
serviu toda uma nação com seus dons, sabedoria e também com sua morte.
Por isso ele sempre será nosso exemplo máximo de ministério e também de
serviço.
O serviço é tão importante para o bom funcionamento de um
ministério de música e/ou para nossas vidas de adoração, que John C.
Maxwell (As 21 Indispensáveis Qualidades de um Líder) chega a dizer que
"As pessoas não se importaram com quanto você sabe, até que saibam
quanto você se importa".
Isso é radicalmente oposto, e até
indecente, para o líder musical que considera o profissionalismo
perfeccionista (isso é radicalmente diferente da Excelência) como forma
de governo para seu ministério e para sua adoração. Apesar de trazer
boas coisas para dentro de um grupo de música, o profissionalismo traz
também uma certa necessidade de se "auto-completar", sendo assim,
qualquer ajuda externa é descartada, inclusive a de Deus.
Concordo
em todos os sentidos com Rory Noland (Coração do Artista) quando diz:
"O serviço cristão é uma noção de contracultura; vai contra a natureza
humana". É por isso que o serviço cristão (principalmente o musical) é
tão contestado e até refutado por muitos hoje em dia.
Temos que
nos concentrar em servir as pessoas, em suas necessidades, com nossos
dons e talentos - mesmos os musicais e artísticos. Noland diz que o
"ministério não diz respeito a nós e a nossos talentos maravilhosos. Diz
respeito às pessoas." É por isso que Pedro tão habilmente nos ensina
que "Cada um administre (sirva) aos outros o dom como o recebeu, como
bons despenseiros da multiforme graça de Deus." (I Pedro 4:10)
Jesus
(Marcos 10:45) disse: "Porque o Filho do homem também não veio para ser
servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos." É por
isso que quando se via frente à multidão de pessoas que o acompanhava
tinha "grande compaixão delas, porque andavam cansadas e desgarradas,
como ovelhas que não têm pastor." (Mateus 9:36). Seu ministério estava
totalmente voltado as pessoas, era para elas (pessoas) que tinha vindo.
Precisamos
desesperadamente, de líderes musicais, que quando estiverem no palco,
olhem as pessoas com os mesmos olhos de Jesus. Que tenham compaixão
delas e seu coração chore por suas necessidades. E se disponha a fazer
todo o possível para que as almas se tratem no "hospital da Adoração".
Que elas (pessoas) sejam a prioridade em sua ministração, colocando
assim a música em seu devido lugar.
Sei que o serviço é muitas
vezes árduo, as pessoas muitas vezes abusam da graça que estamos
dispensando a elas, abusam de nosso amor e de nosso respeito. Mas Foi
Jesus quem disse: "Os sãos não necessitam de médico, mas, sim, os que
estão doentes; eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores ao
arrependimento." (Marcos 2:17) Temos que entender que elas estão, muitas
vezes, doentes e precisam de remédios, como o da adoração.
Oração
"E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações." (Atos 2:42).
Eu
poderia enfocar a oração como elemento de adoração por vários ângulos
diferentes. Existem excelentes livros e estudos que falam somente de
oração, e sua aplicação numa vida cristã de adoração. Mas vou tomar
emprestado de John Piper (Teologia da Alegria) algo que resume o que
gostaria de dizer sobre este elemento: "A oração sempre te leva à
plenitude do Espírito e a razão disso é que ela é o centro nervoso de
nossa comunhão (adoração) com Jesus."
Se tentarmos cumprir aquilo
para o qual fomos chamados, mantendo nossas responsabilidades perante
Ele e a congregação em nossas mentes, nossa Oração deve ser feita dentro
do sentido de Adoração & Serviço.
"Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito." (João 15:7)
A
pastora Gisela Guth (IMMEI - Cuiabá, Mateus) disse certa vez que "a
oração é a mola que move o braço de Deus, então, como sacerdotes e
ministros, devemos usa-la em benefício do próximo." Um dos motivos da
oração ser grandemente negligenciada em nossos ministérios musicais é o
fato de que não entendemos seu propósito de Adoração & Serviço. E
nossa maior (para não dizer única) responsabilidade é justamente adorar e
servir.
A oração é essencial nesse processo porque é um dos
principais fatores bidirecionais de nosso relacionamento com Deus.
Talvez Charles Spurgeon, tenha sido um dos primeiros a descobrir esta
verdade quando disse: "Quando se trata de oração, Deus e a pessoa que
ora, são parceiras." Deus nos ama de tal forma, e está tão interessado
em nos auxiliar, que nos deu um meio de interagirmos com ele.
Um
Ministério Musical sem o elemento da oração é tremendamente perigoso
(para não dizer catastrófico). A falta da oração nos leva, dentre
outros, a falta de conhecimento de Deus e de seu caráter, e nunca
conseguiremos adorar quem não conhecemos.
Creio que até agora não
tenha dito nada de novo em relação à oração, todos sabemos destas
coisas, e talvez você esteja até começando a sentir um certo sono
enquanto lê este tópico do estudo. Você vai me dizer (com toda certeza)
que tem condições de me dar uma aula sobre esse assunto, pois minha
explanação está muito fraca. Mas então, se todos sabemos de sua
importância, porque a oração é tão desprezada (ou despreparada) em
nossos Ministérios Musicais?
Um dos motivos que mais acredito é o
de que a oração, através do tempo, passou a ser desconsidera como um
exercício de adoração, e sim mais uma simples obrigação cristã. A
utilizamos, muitas vezes, por mero constrangimento no início e final de
nossos ensaios (afinal temos que mostrar uma certa espiritualidade),
algumas vezes lembramos de faze-la durante algum estudo e/ou trabalho
pessoal, e mais raramente ainda em nossa casa. E quando fazemos, apenas
pedimos, de forma egoísta, algo que supra nossas necessidades.
"Pai,
se queres, passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha
vontade, mas a tua. E apareceu-lhe um anjo do céu, que o fortalecia."
(Lucas 22:42,43)
Jesus mais uma vez nos da o exemplo máximo. No
Monte das Oliveiras fez uma de suas orações mais profundas de toda sua
história. Ele, de forma magnífica, conseguiu colocar numa única frase de
oração, a Adoração & Serviço de tal forma, que Deus lhe enviou um
anjo para lhe confortar e ajudar.
Quando nos posicionamos em
relação à oração, com o espírito correto, Deus da forma mais natural
possível, passa a cuidar de nossas necessidades. Ele tem prazer em nos
"presentear" com sua doce e amável presença, suprindo todo e qualquer
desejo que tenhamos em nosso coração. Alem de passarmos a ter
experiências fantásticas do poder e graça divina.
Conclusão
"Porque
os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca
devem os homens buscar a lei porque ele é o mensageiro do SENHOR dos
Exércitos." (Malaquias 2:7)
Sei que muitas vezes posso passar a
impressão que sou contra qualquer tipo de musicalidade, mas na verdade
não é isso. Eu apenas busco coloca-la no lugar que creio ser certo.
Realmente penso que os elementos descritos acima são de vital
importância para nossos ministérios musicais, muito mais que a mera
aplicação de regras melódicas e de conceitos harmônicos. Porque como já
disse, a MOTIVAÇÃO (e aqui posso dizer caráter) define nossos métodos.
Quando
tivermos a oportunidade de termos boas músicas que se baseiem
prioritariamente nos quatro elementos descritos acima, então teremos
canções que causem um tremendo impacto na sociedade em que vivemos.
Iremos trazer a realidade os elementos da adoração que as pessoas
necessitam para ter uma "oportunidade única" com o Deus que fez todas as
coisas, inclusive nossa música.
Musicalidade é importante, mas
buscar ter um ministério musical baseado nesses elementos da vida cristã
(Verdade, Comunhão, Serviço e Oração), é ter a certeza absoluta que
conseguirá compor, ministrar e executar músicas que contenham unção
& música, ADORAÇÃO & ARTE.
Fonte: Publicado originalmente em http://www.gospelmusiccafe.com.br/seminario07.asp